O MITO DE INANNA E ERESHKIGAL

Inanna, Rainha do Céu e da Terra, era a deusa do amor, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos Sumérios.
Ereskigal, a Senhora do submundo era irmã de Inanna. Conta o mito que havia grande inveja e rivalidade entre as irmãs Inanna, a bela e adorada Senhora da fertilidade, e Ereshkigal, horrenda figura da região inferior. Como é comum na maioria dos mitos antigos, há um momento em que aquele que está no Reino superior precisa de fazer a jornada iniciática da descida ao mundo inferior. Inanna decide ir ao mundo subterrâneo a pretexto de presenciar os funerais do marido de Ereshkigal. Adornando-se com os sete símbolos da realeza, símbolos de proteção para a descida ao inferno, ela prepara-se para se encontrar com a sua irmã das trevas.

Havia sete portais que Inanna deveria cruzar. Inanna é detida no primeiro portal do mundo inferior. O guardião informa Ereshkigal, a rainha do grande abismo, que a rainha do céu pede para ser admitida à "terra de onde não há retorno". Ereshkigal determina que Inanna seja tratada de acordo com as leis e ritos destinados a todos que entram no seu reino: ela deve ser trazida à sua presença "nua e curvada" (como os sumérios eram colocados no túmulo).

Em cada um dos portais as suas insígnias e vestes são ritualmente rasgadas:

 

  • No 1º portal Inanna entrega a sua primeira proteção: a coroa, símbolo da sua conexão com o céu, da sua divindade.

  • No 2º portal Inanna retira os brincos de lápis-lazúli das suas orelhas, que representam as suas capacidades e conhecimentos sobre Magia e a habilidade para manifestar.

  • No 3º portal Inanna deixa ir a dupla fiada de pérolas no pescoço – o êxtase da iluminação.

  • No 4º portal Inanna entrega o seu peitoral dourado - o seu coração, as emoções.

  • No 5º portal Inanna dá o cinturão da anca -o seu ego.

  • No 6º portal Inanna abdica do bastão - a sua vontade.

  • No 7º portal Inanna entrega as suas vestes femininas – o seu poder sexual.

 

Inanna abdica dos seus atributos terrenos, de todos os seus papéis - como rainha, alta sacerdotisa e mulher. A sua realeza, função sacerdotal e poderes sexuais são inúteis no submundo.
A sagrada sacerdotisa do céu terá que entrar no inferno curvada, em humilde reverência!
A luz de Inanna e a sua glória tinham sido, até certo ponto, conseguidos às custas de Ereshkigal, que representa o lado sombra de Inanna, a sua dimensão negligenciada, sem amor, abandonada, instintiva, e cheia de raiva; a ganância, o desespero, a solidão.
Inanna terá que entrar curvada, para experienciar tudo o que nela foi rejeitado; o inferno pede nada menos do que a remoção das nossas defesas, símbolos antigos de auto-identificação, posses terrenas, ego. Nudez total.
Neste estado vulnerável, Inanna é presa e crucificada num poste do mundo inferior. Como qualquer iniciada, ela rende-se corajosamente ao próprio sacrifício, para ganhar nova força e conhecimento. Como a semente que morre para renascer, a Deusa submete-se.

"Fui até lá
de livre vontade, fui até lá
com meu vestido mais lindo
minhas jóias mais preciosas
e minha coroa de Rainha do Céu
No Inferno, diante de cada um dos sete portões
fui desnudada sete vezes
de tudo o que pensava ser
até que fiquei nua daquilo que de facto sou
Então eu a vi.
Ela era enorme, escura, peluda e cheirava mal
tinha cabeça e patas de leoa
e devorava tudo que estivesse à sua frente
Ereshkigal, minha irmã
Ela é tudo o que eu não sou
Tudo o que eu escondi
Tudo o que eu enterrei
Ela é o que eu neguei
Ereshkigal, minha irmã
Ereshkigal, minha sombra
Ereshkigal, meu eu."

Sozinha e na escuridão, Inanna permanece morta durante três dias, ressuscitando depois devido à intervenção de duas criaturas que simbolizam os instintos. Quando regressa ao mundo exterior, reconciliada com Ereshkigal, Inanna é uma mulher transformada, mais forte, poderosa e consciente, com a sua totalidade resgatada. A Deusa Inanna ensina a entrar no submundo (o inconsciente) para encontrar e integrar as partes perdidas, reprimidas da nossa natureza. Que partes do teu ser foram rejeitadas e exiladas para o mundo da sombra, onde habitam sedentas de amor e reconhecimento, para poderem ser aceites e integradas?

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